As Melhores Lições Dialogam com a Derrota



Conversando esses dias sobre o ano de 2020, um amigo me perguntou com sinceridade:


- Carla, você acha mesmo que a gente pode aprender alguma coisa sobre liderança em situações tão difíceis que testam nossos valores, habilidades e competências?


Confesso que fiquei um pouco tentada a concordar mas minha crença de que, mesmo nas piores situações, é possível encaixar um olhar mais otimista e pró-ativo foi maior que a tentação de aceitar o contexto.


Para me ancorar em algo real, me inspirei na linda história do capitão Sir Ernest Shackleton e do navio Endurance!


No verão de 1914, Shackleton, um dos maiores comandantes de expedições à Antártida, partiu a bordo do navio Endurance com o objetivo de cruzar o continente antártico.


Sem chegar a atingir sua base planejada, devido a condições climáticas severas, o navio ficou encalhado no meio dos bancos de gelo e, após alguns meses, foi destruído pelo mar de Weddell.


Frio cortante, pouca comida, mais de 450 dias sem pisar em terra firme e uma liderança colocada à prova diariamente. A alimentação era restrita a peixes, focas, pinguins e, num dado momento, por uma questão de sobrevivência, dos próprios cães que os guiaram por algum tempo na expedição.


Quando o verão trouxe temperaturas um pouco mais elevadas que os rotineiros -30ºC, a tripulação aproveitou o derretimento do gelo e embarcou em seus botes salva-vidas com o pouco que restou do navio, rumo à ilha Elephant.


Depois de mais de 4 meses de extremos desafios, lutaram contra o mar revolto durante quase uma semana, numa tentativa desesperada de sobreviver. Sentiram fome, frio, sede. Foram à exaustão.


Quando finalmente chegaram em solo firme, perceberam que ali não conseguiriam passar muitos mais dias. Na busca pela vida, Shackleton escolheu cinco homens e enfrentou mais de oitocentas milhas de mares turbulentos, num dos botes salva-vidas, em direção à ilha habitada da Geórgia do Sul.


Exatamente dois anos depois, espantosamente, todos os 28 homens conseguiram sobreviver e retornar para seus lares.


Shackleton, em uma primeira avaliação de eficiência, falhou. Afinal, não cruzou a Antártida. Entretanto, na força da liderança deixou sua marca na história. Afinal, transformou sua mal sucedida expedição como uma das mais incríveis histórias de resistência e liderança do mundo.


Shackleton não focou apenas em pontos negativos que o contexto lhe impunha, passando uma mentalidade de insegurança e indecisão para sua equipe.


Ao contrário, praticou sua liderança focado na gestão da energia de seus homens, focando em suas habilidades para atravessar situações difíceis.


Ele também demonstrou um compromisso incansável com seu objetivo principal: o retorno seguro de toda sua equipe. Porém, foi totalmente flexível sobre como alcançar esse objetivo, moldando seu estilo de liderança ao contexto que o cercava.


Shackleton também alternou sua capacidade de gestão do dia-a-dia e da liderança da missão. Ele assumiu total responsabilidade pela situação e tentou continuamente melhorá-la.


Por isso, se alguém me pergunta se é possível aprender sobre liderança em situações tão fora do nosso controle, eu digo:


Se por acaso sua missão falhou este ano por circunstâncias que fogem de seu controle, não se lamente! Assuma a responsabilidade! Analise a conjuntura atual, defina seu novo objetivo e lidere sua equipe com rápida adaptação, flexibilidade e inovação.


Acredite… é o seu jeito de pensar as situações que farão você optar pelo melhor jeito de ser e fazer as coisas para superar situações adversas. Vire o jogo!

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